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Bellow the Big Earthworm by marcelo paciornik

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marcelo paciornik marcelo paciornik
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1
Size
0.31 Gigapixels
Views
227
Date added
Aug 29, 2013
Date taken
 
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Description

A série dos "Planetas"

Se falei lá atrás na "Fotografia como Fotografia" pensando nesta como um meio de expressão já acabado, imagino que o ensaio que comecei a poucos meses, (estamos em sábado 13 de julho de 2013) é a chancela merecida deste meio, pois, iniciei este processo, primeiramente como um estudo do próprio discurso (e ou técnica), e tão logo percebi sua potencialidade estética e poética, dei razão a continuidade ao ato fotográfico e por consequência ao ensaio dos meus "Planetas".
Fotografias complexas. São, na verdade, múltiplas fotografias, feitas de um mesmo lugar, porém, existe um método específico para faze-las. A câmera é colocada sobre um aparato que se movimenta em ângulos pré determinados. É um robô que conforme a programação gera uma imagem panorâmica, de até trezentos e sessenta graus, deste lugar. (mais informações, consultar www.gigapan.com) De inicio, o que mais me fascinou, foi a capacidade de obter imagens gigantescas com detalhes que Daguerre tremeria em seu túmulo de tanta inveja. Mas o processo de fazer estas fotos, por si só, já me instigava. Tinha algo a mais do que apenas chegar e fotografar um lugar... obter uma memória... um mero, isso foi... um instante decisivo... um documental imaginário instantâneo. Algo que eu poderia ter como referencial para uma pintura? Não, nem pensar! Jamais! Muito pelo contrário, se minha pintura dissecava a fotografia a minha visão poética da fotografia enquanto fotografia deveria ter algo impensável de pintar, algo tão gigantesco e cheio de ruídos, apontando para um nada absoluto, mesmo que dentro de infinidades de referências miméticas da realidade. Uma fotografia burocrática, sem a menor compreensão do que iria ser gerada no final do processo. Tendo o acaso como aliado.
O processo de fazer estas fotos já é bastante complexo. É necessário um tripé robusto, uma câmera boa, com uma lente boa, o próprio robô já é um objeto com cara de arma soviética. Quando a câmera é encaixada em cima com uma lente 70 - 200 mm então, a coisa fica com cara de faixa de gaza...
O problema era que nesta época eu estava um tanto bipolar, eram dias de euforia, "vamos pintar e muito! Thank you very much!" ou dias de uma melancolia perturbadora, do tipo não quero fazer nada a não ser levar a Tabata (minha cadela) ir fazer coco, ( na verdade minha vida inteira foi mais ou menos assim, mas nesses dias a coisa estava mais latente) e tinha dias que eu estava bem eufórico para sair e beber, tomar uns porres mesmo, mas já estava numa idade que tomar porre, só por tomar porre, já não tinha muita graça, já tinha andado por muitos bares da vida e a coisa não muda, a merda de sempre... foi bastante pertinente, então, que nesses momentos de euforia, não o bastante para pintar, nem o bastante para ir aos mesmos bares que nem fumar um cigarro já não podia, que descobri que, para fazer uma foto de trezentos e sessenta graus demorava umas belas duas ou três horas...
Foi então que começaram os planetas!
Eufórico para fazer alguma coisa que não só encher a cara num bar da esquina, coloquei o equipamento em uma mochila. Era uma mochila bem grande! Cabia a 7d com a lente 70-200, o robô, e ainda um tripé desses de câmera de filmagem, para aguentar o peso do arsenal. Subi a rua da minha casa e pensei... "Meu! Eu to no centro de São Paulo, são umas oito da noite, to sozinho, com um equipamento que vale uma pequena fortuna nas minhas costas... bem, é claro que neguinho não vai mexer com um mastodonte de cento e dez quilos, calçando coturnos, calças apertadas nas canelas, camiseta preta e cara de skin head e ainda com um tripé que mais parece um tridente medieval "... mas... mas é claro que eu estava com medo. De qualquer modo estava na euforia. Mas o medo também me consumia... "Caralho, que que eu faço?...." Assim começou o primeiro planeta. Pensei em um lugar que eu poderia ter uma certa segurança mesmo com o equipamento..."vamos la Marcelo, pense bem, não saia muito da segurança da sua casa (que idiota, eu morava no centrão de São Paulo, qualquer lugar fora minha casa poderia ser um potencial problema). " Então surgiu na minha mente um bar que eu adorava ir, (apesar do preço) o "Bar da Dona Onça", embaixo do Copan, um edifício símbolo de São Paulo, tinha uma área na frente que eu poderia montar o equipamento sossegado, sentar em uma mesa e ficar ali durante as horas de captação de imagens que o aparato fazia, enquanto eu tomava umas cervejas, na segurança do local... que bela e "corajosa" estratégia!
Depois de algum tempo a imagem estava captada, quinhentas e tantas fotos para compor uma bela panorâmica do local, quase cem reais a menos na minha conta só de cervejas (eu falei que o lugar era caro). Voltei para casa com as fotos na memória da máquina e joguei-as no programa do Gigapan. Uma belíssima panorâmica, com aquela aberrante luz noturna, pessoas em movimento fantasmagórico pelo tempo de abertura do obturador, mas enfim... Uma foto enorme... de sei lá quantos gigas pixels... Fiquei olhando para aquilo e pensei... "Nossa, dava para ampliar do tamanho do Copan e nem perderia resolução"... Mas comecei a interagir com a imagem, e por mais que fosse difícil manipula-la devido ao seu tamanho, cheguei em uma composição que achei que fosse interessante. Uni as duas bordas da imagem fazendo dela um pequeno mundinho, um planetinha, um lugarzinho seguro, bem ali na frente do Copan.
Outros dias vieram e outros planetas foram feitos, todos tinham as mesmas características psicológicas, eram lugares por onde eu tinha uma certa segurança, onde eu poderia deixar o robô fazer seu trabalho enquanto eu tomava umas cervejas, onde eu tinha alguém para levantar o braço e dizer: "Daí? Beleza?"
São nossos pequenos mundos, nossos pequenos planetas que vamos, assim sem saber porque. Talvez por conforto da segurança, talvez por estarmos habituados.
Lembrei de uma música do Depeche Mode: Personal Jesus. Sempre gostei desta música, "seu próprio Jesus pessoal"... Pensei nos meus planetas que eu comecei a colecionar, tão próximos, tão seguros, tão meus, lugares em que meus pés me levavam sem eu sequer pensar, seja para tomar uma cerveja, seja para dar uma caminhada com a Tabata, meus próprios planetas pessoais. Como são difíceis de serem largados, abandonados. Como fazem parte de nossas vidas e mesmo assim não damos conta do que existe neles... então faz o seguinte: Compra uma gigapan, põe tua câmera ali em cima, faz uma varredura do teu lugar mais querido, aquele que você acha que já conhece como a palma da tua mão e fotografa desta maneira, assim, pegando todos os detalhes, com uma tele no 200 mm, captando até a formiga dando tchau pra câmera, enquanto você tomas umas e outras no processo... Depois me diz se você já conhecia este lugar, mesmo que pensando que ele seja só seu.


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